Por que eu me tornei um médico obstetra?

A decisão de ser um médico obstetra

Algumas pessoas me perguntam por que escolhi fazer medicina e ser um médico obstetra.

A única referência que me lembro mais próxima da família na área médica era de um tio médico bem sucedido, irmão de meu falecido pai, mas que morava longe e tínhamos pouco contato.

Ainda na época do colegial, atual ensino médio, eu fiz um teste vocacional, que já acusou habilidades e vocação para a área de humanas, biológica e medicina.

Sempre fui um aluno muito esforçado e competente na escola, obtendo as melhores notas, orgulho de meus pais, motivo que me ajudou a ingressar em várias faculdades de medicina já na primeira tentativa e ano.

Escolhi então, prestar medicina na faculdade de Santos minha cidade natal e onde morava com meus pais. Desde o inicio do curso percebi que eu tinha feito a escolha certa. Na faculdade continuei me destacando com um excelente aproveitamento e empolgado com os novos aprendizados na medicina.

A decisão tomada já durante a faculdade

No quarto ano da faculdade, como Santos na época não tinha destaque na área médica, ouvi falar que em São Paulo capital, tinha um estágio voluntário para acadêmicos de medicina, chamados internos, na famosa maternidade pública Leonor Mendes de Barros “Casa Maternal”.

Praticamente sem conhecer a capital de São Paulo em 1981, cursando o quarto ano de medicina, eu me aventurei a vir uma vez por semana na capital para freqüentar este estágio.

Eu tinha quer acordar de madrugada e pegar o primeiro ônibus para São Paulo que passava próximo da minha casa na Ponta da Praia, às 04h e 20 min. da manhã para entrar às 7h na capital.

Conclui deste modo, o estagio na maternidade Casa Maternal por 2 anos que me deu um aprendizado impar na área de ginecologia e obstetrícia desde a faculdade na época, além da certeza do que eu queria fazer como especialização na residência médica após conclusão do curso de medicina.

Na residência médica após ser aprovado em 2 lugares optei mesmo em sair de Santos e vir morar em São Paulo para cursar residência de ginecologia e obstetrícia no conceituado hospital do Servidor Público Estadual – IAMSPE da capital pelo período de 3 anos, 1984-1987.

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Naquela época a obstetrícia era muito diferente dos tempos atuais, não havia tanta tecnologia, se priorizava a parte clínica, o contato e conversa com o paciente, o aprendizado com os grandes mestres e professores muito experientes na área.

A grande crítica possível daquela época era com relação a uma medicina e procedimentos onde a decisão e opções eram muito baseadas na escolha e vontade do médico, até em nível de ensino, treinamento, quando a participação do paciente e gestante tinha pouca relevância, ela assumia uma atitude mais passiva e o ato médico sendo praticamente incontestável.

Uma larga experiência e aprendizado na área

Muitos pacientes me perguntam quantos partos eu já fiz durante minha carreira de médico. Nunca fiz essa conta, mas provavelmente algo maior de 5.000 partos e nascimentos nestes 36 anos de profissão desde formado. 

Considero o médico obstetra um ser humano privilegiado por participar deste momento mais marcante e feliz da vida da mulher, casal e família, que é o nascimento de um filho, quando a mulher se torna mãe, o homem pai, os pais avós, os filhos irmãos, assim como a formação de uma nova família.

Ainda penso qual espírito, razão me fez sair de uma cidade pequena no quarto ano da faculdade, quando muitos nem sabiam o que queriam fazer, para ir voluntariamente até a capital longe, acordando de madrugada somente para ter contato e aprender medicina dentro de uma maternidade participando do mundo da gestante.  

Realmente não sei se “escolhi” ou “fui escolhido” para me tornar um médico obstetra desde o curso da faculdade, com grande vontade e prazer de trabalhar com mulheres e gestantes nestes longos 36 anos de formado.

Houve momentos e dias difíceis sim, quando as coisas não deram certas, o resultado final não foi o esperado, mas estes foram a “exceção” afortunadamente. Durante o parto temos decidir pelas melhores escolhas que vai determinar o melhor resultado final. Se existe um “anjo da guarda” ele está presente me protegendo certamente.

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A magia e emoção de cada parto

Posso dizer com certeza de que desde o primeiro e cada parto no qual eu participei é uma sensação e emoção única, incomparável, certamente um momento mágico iluminado, especial que transcende a todos os presentes, com a chegada de um novo ser tão esperado amado, algo divino. O que me fez seguir esta carreira.

O sucesso é compartilhado por todos formando uma equipe. A sensação, emoção após o parto é um misto de alegria, alívio e felicidade contagiante por todo o ambiente, inclusive de caráter pessoal, profissional. Lembro sempre de agradecer muito a Deus por sua benção e por tudo isso!

A Obstetrícia sempre foi uma paixão para mim. É uma especialidade médica que geralmente não trata de doenças, onde mais você tem de ouvir, tirar dúvidas, conversar, criar vínculo, amparar, passar segurança-confiança, força, apoio, conforto e literalmente, guiar, pegar na mão durante o parto. Escolhi fazer isso e, portanto quero ser o melhor nisso!

A diferença entre médico ginecologista e obstetra

 Existe uma diferença na especialidade ginecologia e obstetrícia. Nem todo ginecologista é obstetra e/ou escolheu fazer isso. Muitos ginecologistas com o decorrer dos anos deixam de fazer à obstetrícia.

O médico obstetra tem uma vida atrelada as suas pacientes gestantes, datas futuras de partos, em estar disponível sempre que possível… Planeja suas férias, viagens, finais de semana, de acordo com a agenda de nascimentos. É acordado com freqüência à noite para trabalhar.

A experiência, qualificação, disponibilidade, referências e indicações dos profissionais envolvidos e escolhidos para realizar a sua assistência ao parto são de fundamental importância e relevância para o sucesso e satisfação na jornada da gravidez e parto, especialmente na escolha do parto normal.

Estes com certeza serão momentos inesquecíveis e “mais felizes” da vida da mulher, casal e familiares! Como médicos obstetras temos o privilégio de poder ajudar e compartilhar desta emoção e felicidade.

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